Reconstrução e identidade: o caminho da cura integral após a cirurgia conservadora ou mastectomia

O momento em que uma mulher se olha no espelho após uma cirurgia de mama não é apenas um ato de vaidade; é um confronto direto com uma nova realidade física e emocional. O diagnóstico de câncer de mama traz consigo um turbilhão de decisões técnicas, mas, no silêncio do pós-operatório, o que muitas vezes grita é a sensação de fragmentação da identidade. A mama, historicamente ligada à feminilidade, à maternidade e à sexualidade, carrega um peso simbólico que nenhuma cicatriz consegue ignorar. Muitas pacientes chegam ao consultório com uma dúvida que dói mais que o corte cirúrgico: “Eu ainda serei a mesma?”.

A resposta honesta é que a experiência a transformará, mas a medicina moderna, através da integração entre a mastologia e a cirurgia plástica, trabalha para que essa transformação não seja um sinônimo de perda, mas de reconstrução. A escolha entre a cirurgia conservadora (onde removemos apenas o tumor com uma margem de segurança) e a mastectomia (remoção total da glândula) depende estritamente de critérios clínicos, como o tamanho da lesão em relação à mama e o subtipo biológico do tumor. No entanto, o impacto na autoimagem existe em ambos os casos. Mesmo em cirurgias conservadoras, dependendo da localização do nódulo, pode haver retrações ou assimetrias que incomodam no dia a dia, no ajuste do sutiã ou na intimidade.

É aqui que entra o conceito de oncopolástica. Imagine o caso de uma paciente que acompanhei recentemente. Ela precisou de uma quadrantectomia na parte superior da mama. Tecnicamente, a cirurgia foi um sucesso, o câncer foi removido. Mas, ao se vestir, o “degrau” deixado no colo mamário a lembrava da doença cada vez que ela se olhava. A solução não foi apenas tratar o câncer, mas utilizar técnicas de remanejamento de tecido da própria mama para preencher aquele espaço. Quando tratamos a forma junto com a patologia, estamos tratando a saúde mental dessa mulher. Na mastectomia, o desafio é maior, mas as possibilidades são vastas.

A reconstrução imediata — feita no mesmo tempo cirúrgico da retirada da mama — é o padrão ouro sempre que clinicamente possível. Seja com o uso de expansores teciduais, próteses de silicone ou retalhos autólogos (usando pele e gordura do próprio abdômen ou costas da paciente), o objetivo é devolver o volume e o contorno. O impacto psicológico de acordar da anestesia e ainda ver uma silhueta no tórax, em vez de um vazio absoluto, é um dos maiores aliados na adesão ao tratamento complementar, como a quimioterapia ou a radioterapia. Dra Carolina Malhone mastite consulta